quarta-feira, 31 de março de 2010

Independência ou Marte#137 - Especial TEIA 2010 - Tambores Digitais, Novidades Quentinhas e Festival GAIA

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Salve rapaziada. O programa#137 foi realizado Ao Vivo na Rádio UFSCar com Yasmin e Jovem, que havia acabado de chegar de Fortaleza (CE), da TEIA - Tambores Digitais, o encontro dos pontos de cultura. Depois de contextua
lizar tudo isso, o braço radiofônico do projeto iniciou suas conexões, com registros de vivências, samplers, ligações telefônicas e pesquisas na cultura musical independente brasileira.
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sábado, 27 de março de 2010

Tecendo a TEIA - Parte 2

Grupo de Congada Moçambique Estrela Guia - Uberlândia/MG
foto de Marina Cavalcante


por Carlos Magalhães


Dança, dança, dança, dança circular. Girando e girando, aproximadamente quarenta pessoas de mãos dadas. Ao meu lado uma nipo-germânica, na roda central, um preto forte de Rastafari, uma francesa, um descendente indígena, um branco brasileiro de nome europeu no palco junto do pernambucano mestre Zé Duda. A transformação, um país em transformação.

E o burro não sabe lê. Foi isso que ele aprendeu na escola, que o burro não sabe lê. Põe o burro advogado e ele não sabe lê, põe o burro presidente e ele não sabe lê. Tortura por anos o burro e ele não sabe lê.

Gira, gira e gira. Gira mundo gira vida.

Um mega anfiteatro, cadeiras posicionadas como um tobogã de estádio de futebol. Todos sentados no silêncio, assistindo à mais de vinte pessoas batendo em tambores, de couro e de aço. Orquestra Tambores de Aço! Mesmo assim, tava todo mundo parado. A luz colorida era a única coisa que dançava.

De mãos dadas, balançando pra frente e pra traz, em um ritual de purificação, eu - um português italiano índio - Mariko - a sino-germânica – e o preto Rei dos Rastafari. Pra frente e pra traz, purificando o centro da roda. E quem me surge do nada no centro da roda???

Levaram o burro para escola e o que ele aprendeu? Que o burro não sabe lê. Põe o burro trabalhando, colhendo, plantando e ele não sabe ler.

Ela novamente, Mariko. Dançando com graça e alegria, sorrindo como se aquele momento fosse algo sublime. E tudo se torna colorido, as crianças atentas tocando os tambores, os mais velhos coordenando a orquestra, o público cantando e Mariko, Mariko, tornando aquilo divino.

Surge uma câmera no meio da roda. Com seu cinegrafista duro, procurando a melhor imagem, o enquadramento perfeito. Filmando os pés da roda, os corpos da roda. A dança circular. Gira, gira e gira. Quem era purificado ali era a imagem filmada. Logo aqueles que assistirem essa imagens estarão recebendo aquela bença, aquela purificação de todas as pessoas da roda. Os tambores tocando e as pessoas girando. Mariko sorrindo, Jorge Mautner cantando, o som, Tudo aquilo transformado em pixels, criando uma imagem digital.

Comecei a entender o porquê dos tambores digitais.

¨Mãe eu não sou como você, eu quero conhecer novas pessoas, descobrir novas identidades, quero viver a diversidade desse mundo¨.

Gira, gira, gira, Mariko sorrindo, a lua brilhando, o calor de fortaleza. Gira, gira e gira. Jorge Mautner sério, a roda para de girar. Cortaram o som, ¨cortaram pois tinham de cortar¨.

TEIA 2010 - O Brasil reunido no centro de Fortaleza

por Jovem Palerosi

Agora sim pode-se dizer que o evento começou de verdade, na intensidade que a cultura brasileira possui, em sua diversidade de manifestações, fusões, criações. No segundo dia de atividades do maior encontro dos Pontos de Cultura da história do país, chegaram todos os convidados que faltaram e as atividades começaram bem mais cedo.
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Iniciando as Conexões na TEIA 2010 em Fortaleza


por Jovem Palerosi

Apesar a abertura oficial do eventer ser nesta 6a feira, dia 26/03, já começou a TEIA 2010 – Tambores Digitais, o encontro nacional dos Pontos de Cultura que este ano está sendo realizado em Fortaleza (CE). Desde o final de quarta-feira, pessoas de todo o país se juntam na região central da cidade para em apresentações artísticas, exposições, debates políticos e grupos de trabalho em áreas como cultura popular, Economia Solidária, cultura digital, arte/educação, entre outros.
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sexta-feira, 26 de março de 2010

Tecendo a teia - Parte 1

por Carlos Magalhães


Sejam todos bem vindos à Teia Brasil 2010 – Tambores digitais! Por favor, tenham calma ao entrar, são muitas pessoas vindo de muitos lugares diferentes.

Quem recebe as informações e transmite em palavras para vocês, é apenas um realizador de filmes, que tem como conhecimento a linguagem cinematográfica. Apenas isso.

Observando o mundo pelas ações das pessoas, os símbolos e os sons que são emitidos, iremos nos aventurar em um universo cultural mais antigo e complexo que o cinema. Portanto, quaisquer gafe ou ignorância que eu possa escrever sobre outras expressões culturais fazem parte da formação que estamos vivendo aqui, tentando cada vez mais compreender o que são as culturas do Brasil.

Ao lado de Jovem Palerosi Independência ou Marte – e Gabi Espaço 7 – nos aproximamos do palco principal do evento. Onde um grande número de pessoas, metade sentadas metade de pé, assistiam à apresentação da Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho e Irmãos Aniceto, Uma multidão de vidas, trajetórias e emoções reunidas em um mesmo espaço o Dragão do mar aqui em Fortaleza/CE. Mas o que é esse evento? Quem são essas pessoas? Alguns se conhecem, outros andam sozinhos sem direção...

E quando acabou a orquestra e os irmãos Aniceto começaram a tocar sozinhos que a festa começou a ficar boa. Aquela multidão começava a parecer um corpo só, que organicamente se movia, aproximando-se do palco, reverenciado os irmãos Aniceto, que tocavam e dançavam para todos.

Era uma dança diferente, bem simples mesmo. Mas ver pessoas mais velhas, tocando músicas que você nunca imaginou escutar e dançando ao seu modo, é uma experiência poderosa o suficiente para começar a sentir a força da Teia, a força daquele ritual.

Após essa apresentação, um grupo de reis e rainhas aguardavam fora do palco o início de seu espetáculo. E esse Ato de Coroação das Rainhas do Maracatu, foi algo novo para minhas retinas. Homens vestidos de mulheres, com os famosos painted faces, remetendo à pele preta, vestindo roupas brilhantes, coloridas, com penas, símbolos e outras coisas mais.

Era como se os colonizados estivessem assistindo à um ritual europeu que com o passar dos anos se transformou em colonizados sendo reis, interpretando a coroação. Mas quem são aqueles reis e rainhas? Que mundo é aquele na verdade? Bandeiras eram carregadas cheias de simbolos e palavras escritas... Lembro de uma bandeira com um jangadeiro observando um deus mexer na água do mar... Paisagens oníricas em todos os lugares, estou vivendo em um sonho?

Então os reis europeus começaram a ceder espaço para um rei e uma rainha africanos, seguidos de reis indígenas. Todos em um palco de brilho, suor e fantasia. Ao som frenético que repetia uma mensagem, mas que agora não consigo mais lembrar. Não consigo lembrar de mais nada. Aquilo tudo pareceu um sonho, daquele tipo de sonho que choca na hora que você acorda, mas após algumas horas começa a sumir na memória. Se tornando quase que parte do nosso instinto.

Quantos mistérios existem no mundo? Quais são nossas origens culturais? Quem são os dois ao meu lado?

Depois teve início o show do Fagner, o cara é rei aqui em Fortaleza, todo mundo canta junto. Mas eu estava tranquilo. Não fazia questão de participar desse show e sai para comer um pastel no bar do reggae que existe aqui perto. Um baita dum pastel gigante! Sentei na bancada e comecei a participar da conversa com o italiano e o cearense que estavam lá. O italiano com suas roupas prateadas, seu cabelo preso por rabo de cavalo, com sotaque cômico e o cearense vestindo a camisa do Flamengo, trabalhando freneticamente e mesmo assim hablando con nosotros!

O papo era futebol! Campeonato italiano! Os caras sabiam de tudo. Engoli o pastel e voltei pro Dragão do mar. Uma forte chuva chegou deixando todo mundo encharcado.

E com a alma lavada eu voltei ao palco principal do evento – onde aconteceram todas as apresentações que comentei no texto – e uma multidão molhada cantava junto, dançava sensualmente e sorria. Como sorria! Senti a força de uma juventude naquela hora. Não juventude de idade, mas de estado de espírito de vontade de se expressar, desapegada dos valores morais que são sustentados pelos meios de comunicação de massa em nosso país.

E nessa alegria toda a música é a ferramenta capaz de criar esse estado de espírito e multiplica-lo. É incrível, em questão de minutos eu que me sentia sozinho naquele local, comecei a encontrar rostos conhecidos, receber carinho de pessoas estranhas, conversar dar risada, projetar o futuro, dançar, ao som do Carimbó Os Quentes da Madrugada.

E tudo que era dúvida sumiu da minha cabeça e a resposta não era racional, só podia ser sentida, vivida. Todos se tornam um por alguns minutos, e essa sensação é gigante, tem o tamanho do céu e nesse céu que vamos voar durante os dias que fecham o mês de março.

Amanhã tem mais, o ritual continua.

Acervo fora do eixo visa disseminar a produção audiovisual independente


Coletivo Fuligem de Ribeirão Preto convoca os produtores audiovisuais a compartilharem seus videos afim de complementar o mapeamento de produtos audiovisuais encabeçado pelo Clube de Cinema Fora do eixo.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Independência ou Marte#136 - Porcas Borboletas + Aeromoças e Tenistas Russas, Quão Negros Somos, Guitar Heros Instrumentales e Sinewave pt.2


Iow. Programa#136 com aquele cheiro de momento histórico no ar. Felipe, Jovem e Yasmin no astral recebendo diversos convidados, registros/fragmentos sonoros vividos, e pesquisas musicais . Quase um "sonho de criança", os estúdios da rádio estavam cheios como nunca, com muita gente perambulando para atração principal que viria na metade final, com a Jam Session do Porcas Borboletas e o Aeromoças e Tenistas Russas, registrando a passagem da Tour Fora do Eixo por Sanca Vice.

Noites Fora do Eixo Fotos - Porcas Borboletas + Aeromoças e Tenistas Russas + The Baggios + Discotecagem Radiofônica + VJ Quoé



Quão negros somos...Parte 4

por Carlos Magalhães

O último dia do evento, o momento de fruição e vivência desse ritual. Na programação, a apresentação de diferentes grupos de cultura da cidade de São Carlos, além do grupo Urucungos da cidade de Campinas/SP. Agora o Quão negros somos... ocupa outro espaço da cidade. Estamos no centro da juventude Elaine Viviane. Um equipamento cultural da cidade de São Carlos/SP.

E a primeira apresentação foi a de Centro Esportivo de Capoeira Angola - Academia João Pequeno de Pastinha. Ao som dos berimbaus, das vozes humanas e do batuque eram evocados ritmo, sintonia física e o suor do grupo que se apresentava, reunindo crianças ao seu redor.

Seguido da apresentação da Companhia dos santos reis. Que atravessa o período de quaresma, mas mesmo assim esteve presente para abrir às pessoas o valor que aquela expressão cultural, arte e religião tem para eles e para o mundo, que mantém a tradição e a transcende através de diversas gerações.

A terceira apresentação da programação ficou por conta da Escola de samba Rosas Negras. Um grupo que redigido por um sábio e pela força das crianças da bateria mirim. Seguido das violas mágicas do Grupo de Catira Pés Palmas e Coração. A som da viola encantou as pessoas presentes, assim como os trágicos causos contados pelos violeiros.

Depois chegou a hora do Zero 16 voltar a se apresentar para seus seguidores! O som como sempre potente e instigante. Houve até uma parceria realizada na hora com a bateria mirim da Rosas Negras. O dia chegava perto do fim com uma belo anoitecer em um céu claro e azul marinho.

Marinho, o céu, como o mar, anunciado o início do culto evangélico do outro lado da rua, os moradores que passeavam calmamente naquele fim de domingo. Tudo em perfeita sintonia para que dançarinas rodando, cantando, com blusas brancas, saia, lenço na cabeça e nas mãos. Convocassem as pessoas a participar de festa histórica.

Aquilo encantava os olhos de todos. Toda a apresentação que consistia em canto, dança e percussão eram conduzidas com interpretação, mitologia e sabedoria de Alceu e sua família do Urucungos Puítas e Quijêngues.

Eles fizeram com que as pessoas presentes começassem a dançar. Quem andavam na rua parava para olhar. As danças e músicas antigas interpretadas e contadas ao público, integrando uma diversidade de culturas em torno de manifestações belas e cheias de sabedoria. Com letras simples e palavras cheias de sonoridade, todos cantavam as música que já foram cantadas por Zumbi, Lampião e muitos outros que construíram a história do país. Era novamente a revolução presente. Bem no auge, no encerramento do ritual.

As palavras e as pessoas juntas vibrando celebrando, reverenciando o passado, o futuro e recebendo aquele presente. Um brilho, um gracejo da vida.

E assim se encerrou o Quão negros somos... e eu encerro aqui os textos sobre o evento. Agora é só acompanhar as fotos nessa página - http://fotos.nosdigitais.teia.org.br/ -, hoje tem só as do primeiro dia completas. A cada dia vou atualizando aos poucos até expor tudo que foi relatado nesses textos através da fotografia.

terça-feira, 23 de março de 2010

Noite Fora do Eixo no Palquinho da UFSCar

Quão negros somos...Parte 3


por Carlos Magalhães

A vida é cheia de momentos alegres e inusitados. De rostos e sorrisos que nos encantam, nos fazem sonhar e deixar de existir no mundo da razão para alcançar o mundo da fantasia, onde todos podem ser felizes juntos.

É estou muito comovido, emocionado... Comecei a selecionar as fotos tiradas durante o evento Quão negros somos... e durante esse trabalho entrei em uma máquina do tempo, onde toda a experiência vivida até então volta à mente de maneira viva e calorosa.

Aqui todos sorriem para mim, aqui a tristeza perdeu espaço para a felicidade. Que alegria! Um dia de sol, muitas crianças, mulheres e homens dançando juntos, em rodas como em rituais antigos, sem se preocupar com outras coisas a não ser em interagir com aquele que está ao seu lado.

Tivemos entre as atividades a exposição de painéis de pesquisas ligadas à temática afro, seguido de diversas rodas de grupos de trabalho que serviram para aproximar as pessoas e expor as situações de racismo, violência e opressão que os afro descendentes vivem em seu dia a dia.

Na parte da tarde tive início as oficinas. No SESC São Carlos, um grupo grande de pessoas pode participar do ritual conduzido por Márcio Griô. Com um trabalho em roda fez com que todos ficassem descalços, relembrou músicas cantadas por seus ancestrais e conectou as vidas nessa mandala humana, conduzindo todos a um espaço/tempo deslocado do nosso cotidiano em São Carlos.

Enquanto isso na sede da Teia, o ponto de cultura Nos caminhos de São Paulo, sorrisos e crianças alegres corriam e se divertiam no gramado, dentro da tenda armada e em todos os cantos da Teia. As crianças são presentes que os seres humanos recebem todos os dias. De maneira natural elas encantam as pessoas, trazem alegria para o mais tristes e me fizeram perceber o presente que o presente me oferecia.

O grupo Urucungos – que coordenam o projeto do ponto de cultura Nos caminhos de São Paulo – sabia dar o tom perfeito para aquela criançada. Elas batucavam e dançavam as músicas do grupo, conduzidas pela sabedoria de Alceu e seus irmãos e irmãs.

Ahhh como é bom existir para viver dias como esse! Mas mesmo nesse clima de alegria tivemos um momento de tensão. O pequeno Chico subiu na árvore e lá em cima foi picado por formigas que o fizeram cair no chão.

Seu braço foi quebrado com a queda e seu choro pode ser ouvido por todos. Logo aquele acontecimento gerou uma tensão. E de maneira rápida o pequeno Chico foi conduzido para o hospital.

Por alguns segundos houve silêncio, as crianças cochichavam: Você viu o braço dele? Ficou mole. Quebrou!

“Calma, calma! Não criemos pânico”. A sabedoria dos membros da Teia e do grupo Uruncungos conduziram novamente todos à oficina, aquele havia sido apenas um acidente. Mais um no currículo do pequeno Chico, que tem a vontade e curiosidade de mil homens em um só. Ele está bem agora, terá de ficar alguns meses longe das árvores, mas já já ele volta!

O trabalho foi retomado e de maneira simples e verdadeira Alceu e sua turma continuaram a oficina. Fazendo todas as crianças voltarem a sorrir, tocar, cantar e dançar.

Aquele dia foi mais um presente que a vida me ofereceu e que com palavras tento oferecer a vocês.

Um beijo a quem chegou até aqui. E para aqueles que nunca lerão essas palavras, um abraço e tenham um bom dia.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Resenha: Novo ponto de cultura em São Carlos

Por )
Ontém, dia 18 de março - quinta-feira - não houve encontro do grupo Acaso. Antes que pensem que foi por mera vagabundagem dos "oficineiros" acaseanos já explico o motivo de nossa ausência que, pra dizer a verdade, já foi colocado propositalmente como título desta postagem.

São Carlos foi contemplada com um ponto de cultura: o Independência ou Marte - Conexões Solidárias. Aos que não sabem do que se trata um ponto de cultura, explico:

"Pontos de Cultura são iniciativas desenvolvidas pela sociedade civil que, após seleção por edital público, firmam convênio com a Secretaria de Cultura de seu Estado e o Ministério da Cultura, e tornam-se responsáveis por articular e impulsionar ações que já existem nas comunidades." (bandas independentes por exemplo).
Para ler o texto na integra clique aqui

domingo, 21 de março de 2010

Quão negros somos...Parte 2

por Carlos Magalhães

Mais um dia do ritual Quão negros somos... Voltamos ao auditório no prédio da Prefeitura Municipal de São Carlos. No palco estavam presentes, Márcio Griô representando a Ação Griô, Alceu representando o ponto de cultura Nos caminhos de São Paulo. Vivian representando a Teia das Culturas, Denner representando a Prefeitura Municipal de São Carlos e Paulo representando câmara técnica das relações étnico raciais. Na plateia muitas pessoas que estiveram presentes no primeiro dia, voltaram para dar continuidade à sua formação, construindo novas visões de mundo a partir do evento.

Provavelmente essas pessoas estarão presentes em todos os momentos da programação do Quão negros somos. Recebendo a mensagem e passando adiante, para as pessoas de sua família, seus amigos, seus companheiros de trabalho.

E o tema da mesa é importante: Mesa de debate – perspectiva na relação entre saberes populares e escolares. Márcio é um mestre, um sábio. Uma pessoa que encadeia as palavras como versos tornando lírica qualquer comunicação. E através da poesia que ele expôs o trabalho da Ação Griô, contou sobre sua origem e deixou sua contribuição na mesa.

Depois Alceu trouxe sua experiência sobre o ponto de cultura Nos caminhos de São Paulo e o grupo Urucungos, falou de pedagogia de bar e outras experiências inéditas para muitos que estavam presentes. Lá em Campinas, o trabalho dos Urucungos se baseia na ação social e também no resgate histórico e cultural sobre a trajetória de muitos pretos que viveram naquela região, construindo o Brasil e sendo massacrados pelos historiadores brancos. O trabalho do Urucungos é o tipo de trabalho necessário, urgente, que precisa ser feito e espalhado por todos os cantos, para que novos Urucungos brotem da terra, tornando-se novos pontos de resgate e transformação social, histórica e cultura do continente latino americano.

A mesa prosseguiu, agora com os representantes da cidade falando. Pelo que entendi nosso contexto é um dos mais avançados do Brasil no que tange à políticas públicas para os afro-descendentes. Discorrer sobre como agora a sociedade e o poder público estão se movimentando, demandaria um outro texto, que pode surgir de maneira mais interessante através das mãos de um de seus participantes.

Ao fim ouve um breve debate entre o público e os participantes da mesa. Seguido de mais uma apresentação artística. O grupo Rochedo de Ouro iniciou um cortejo de Maracatu e conduziu todos para fora do Paço Municipal – o prédio da prefeitura que havia citado no começo do texto.

E diferente da noite anterior em que mulheres cantavam como deusas, agora homens – e algumas mulheres – cantavam com voz firme e vigorosa, batendo com força em seus instrumentos musicais, sendo conduzidos por uma mulher de azul que girava e girava. E por um líder que orienta o grupo a partir da sua voz e do seu apito.

E dentro dessa força nós começamos a andar e acompanhar o grupo nas ruas de São Carlos. E como um gracejo divino chegamos na praça Coronel Salles e ela estava repleta de adolescentes, uns trezentos. Vestindo roupas coloridas, sorrindo, vivendo na praça como se fosse ela parte de suas casas. E isso é o mais legal nessa história. Eu nunca na adolescência fui de passear em praças. Mas quando vejo essa juventude ali feliz, consigo de alguma maneira compartilhar dessa alegria.

O Rochedo de ouro continuou tocando, alguns adolescentes dançavam ao redor e quando o Rochedo continuou seu trajeto, uma briga, um barraco, algum coisa aconteceu e fez os trezentos adolescentes correrem como um bando em direção à confusão que teve início.

Hahahahaha é rir pra não chorar.

São muitas emoções em muito pouco tempo. Essa nova geração é fruto de nossa sociedade, são os filhos dos filhos. São diferentes, respeitam e vivem a diversidade sexual, convivem próximos, mas vivem brigando.

Isso é apenas a ponta de um iceberg de emoções que estamos vivendo no Quão Negros Somos... Amanhã tem mais texto. Eu havia prometido fotos hoje. Mas vou deixar elas pra encerrar os últimos textos. São muitas! A seleção delas é mais difícil de se fazer. Mas em breve vocês terão acesso. Um beijo a vocês que chegaram até aqui. E para aqueles que nunca lerão essas palavras, um abraço e tenham um bom dia.

Resenha: Lançamento do Ponto de Cultura Independência ou Marte – Conexões Solidárias

por Alberto Geraissate (original em culturadigital.br/sermultimidia)

Só me dei conta do que tinha acontecido de fato quando cheguei de manhã no trabalho no dia seguinte e um colega me perguntou os resultados do futebol. Não sabia, disse-lhe que na noite anterior eu estava em uma realidade paralela. Não foi apenas uma metáfora. O lançamento do Ponto de Cultura Independência ou Marte – Conexões Solidárias de fato nos levou a conhecer uma realidade que mesmo para os mais entusiastas da cultura digital – como eu – poderia parecer ingênua e deslocada no contexto neo-liberal que a produção cultural se encontra há algum tempo.

O Conexões Solidárias é resultado de um empenho de mais de um ano do pessoal do Massa Coletiva, seus parceiros e colaboradores. O Massa Coletiva é um núcleo cooperativo de comunicação e cultura com sede em São Carlos. Em outras palavras, é um grupo de pessoas com afinidades profissionais e ideológicas sobre como trabalhar com produção cultural e com meios de comunicação de maneira diferente dos moldes dominantes. Vou arriscar aqui um dualismo conceitual, mais com fins didáticos do que práticos. De um lado, temos o modelo dominante, mainstream, neo-liberal e concentrado na mão de alguns; de outro, o modelo alternativo, underground, baseado em economia solidária, e – ao menos em tese – disponível para a mão de mais alguns. E é isso que a galera do Conexões Solidárias, Massa Coletiva, Espaço Cubo, Circuito Fora do Eixo, entre outros, estão mostrando que essa história de cultura em rede e solidária não fica apenas na boa intenção, saindo fora de um discurso apenas panfletário. Não cabe apegar-se ao dualismo “dominante X alternativo” citado anteriormente, porque na prática acontece que o alternativo trás em si alguns conceitos do modelo dominante (revistos e resignificados, com certeza, mas ainda assim trás), e o dominante vem usando toda a força do capital para absorver também conceitos do modelo alternativo.

sábado, 20 de março de 2010

Quão negros somos...Parte 1

por Carlos Magalhães

Atrasado, correndo, pegando a câmera na mão, pronto para disparar fotografias digitais. Assim começou a noite de quinta-feira às 19h30 do dia 19 de março de 2010, para um dos fotógrafos do evento.

Mas cheguei na hora H! A M.C. chamava as pessoas para falarem, enquanto o público que enchia o salão/auditório/teatro aguardava o início de mais um trabalho, mais um ritual, mais uma cerimônia.

Estamos na abertura do evento Quão negros somos... Um momento de atualização política e cultural da cidade de São Carlos, organizado pela Teia - Casa de Criação. O nome do evento já merece destaque, é uma frase forte que nos leva à reflexão.

Quão negros somos? Quão negros somos! Quão negros somos...

Foram apresentadas pela M.C. diversas personas de São Carlos, mas poucos falaram, poucos tinham algo a dizer. Nesses momentos de diálogo, de comunicação oral e direta. As palavras ganham uma dimensão potente e efêmera. Efêmera, por se dissipar em nossa memória com o passar dos anos mas potente por construir na memória de nossas vidas algo que levaremos para sempre.

E dentro deste contexto uma boa notícia! Novos pontos de cultura estão chegando à cidade de São Carlos! Através da parceira – ou convênio – entra a Prefeitura Municipal de São Carlos e o Governo Federal.

Cabe agora aos pontos de cultura que existem na cidade se aproximar, juntar forças, para introduzir o programa cultura viva, conhecer, conversar e trocar com outros grupos culturais da cidade, acelerando suas inserções no processo cultural colocado em nosso país.

E era isso que estava acontecendo naquele espaço. As pessoas estavam semeando ideias, forças, caminhos possíveis para um futuro próximo.

E contando histórias da vida e dos pontos de cultura, que Célio Turino encerrou sua fala.

Poucos segundos de silêncio se instauraram no salão, a calmaria antes da tempestade. Até começar e ecoar os trovões e as palavras de deusas até então misteriosas e desconhecidas.

Começou o Girafulô, começava o primeiro cortejo da programação do evento. Mulheres e um homem – ou mais de um, não me recordo – dançavam, vestindo roupas brancas, saias floridas, batucando em tambores e cantando com voz doce e hipnotizante.

A mágica estava no ar. Muitos eram enfeitiçados, inclusive eu. Que perdi a mão das fotografias mais institucionais e comecei a apertar o botão acreditando na intuição. E dessas fotos intuitivas que saiu a foto tema do texto, e enfeitiçados pelo som as pessoas começaram a seguir o cortejo, que rumava para um prédio antigo no centro da cidade de São Carlos, onde estava pra acontecer o lançamento do ponto de cultura Independência ou Marte – Conexões Solidárias.

Agora serão mais três dias de programação. Mais três textos a serem redigidos. Além de mais fotos que no próximo texto coloco o link para todos acessarem.

Um beijo a vocês que chegaram até aqui. E para aqueles que nunca lerão essas palavras, um abraço e tenham um bom dia.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Grito Doc 2010 - Episódio #7 - São Carlos/SP



Na terceira edição em São Carlos do maior festival integrado da América Latina, novamente organizado pelo Massa Coletiva - Núcleo Cooperativo de Comunicação e Cultura, 16 bandas passaram pela cidade nos dias 15 e 16 de fevereiro, segunda e terça de carnaval.
Durante o dia o espaço foi a Estação Cultura, onde doze bandas puderam tocar para o público que curtiu além dos shows, as exibições de vídeo na Mostra Clarão, esquetes teatrais do Grupo Urucum de Teatro Experimental (Araraquara/SP), a 2ª Feira de Cultura e Economia Solidária, um exposição sobre a história do futebol na cidade e os trens de carga que passavam levantando a galera.
Não por menos, a temática deste episódio do Grito Doc 2010 é Formação de Público.
E a festa continuou madrugada a dentro, onde mais 4 bandas se apresentaram no principal palco da música independente na cidade, o Armazém Bar.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Lançamento do Ponto de Cultura Independência ou Marte - Conexões Solidárias


Acontece na próxima quinta-feira, dia 18 de março, o lançamento oficial do novo Ponto de Cultura sãocarlense, o Independência ou Marte - Conexões Solidárias. O projeto foi contemplado no final do ano passado através do edital Pontos de Cultura do Estado de São Paulo, realizado em parceria entre a Secretaria da Cultura do Governo do Estado e o Ministério da Cultura, através do Programa Cultura Viva.

O evento será na Sede do Massa Coletiva – Núcleo Cooperativo de Comunicação e Cultura, proponente do projeto, e integrará a programação do “Quão Negro Somos”, encontro de formação realizado pelo Ponto Teia – Casa de Criação, o mais antigo da cidade.

A programação deste dia contará com a presença de Célio Turino, secretário de Cidadania Cultural do MinC, que lançará seu livro Ponto de Cultura – O Brasil de Baixo para Cima. Ele, Felipe Silva (Massa Coletiva) e Pablo Capilé (Circuito Fora do Eixo) irão compor uma mesa sobre o momento as articulações do poder público com a sociedade civil para o Setor da Cultura.

A noite ainda contará com apresentações artísticas, como a Discotecagem Radiofônica Independência ou Marte, que consiste em um projeto voltado a difusão da nova música brasileira independente, além de projeções de vídeos e outros materiais do Ponto de Cultura, como as primeiras gravações do longa-metragem "Delírios de um Cinemaníaco".

O evento é aberto ao público, à partir das 20h30, na rua 7 de Setembro, 2053 Centro.

terça-feira, 16 de março de 2010

Inscrições da Feira da Música se encerram nesta sexta-feira

Os grupos e artistas solos que desejam participar da Feira da Música de Fortaleza tem até a próxima sexta (19/03) para realizar sua inscrição. A Feira acontece de 18 a 21 de agosto deste ano e recebe inscrições dos estados brasileiros (exceto Fortaleza), da América Latina e outros países. Para que a inscrição seja efetuada, é necessário enviar mapa de palco, ficha técnica, CD de áudio, CD-R com breve release do grupo (ou artista solo) e fotos.
Saiba de mais detalhes em: www.feiradamusica.com.br.

VT Turnê Minas/São Paulo - Março de 2010 | Porcas Borboletas e Aeromoças e Tenistas Russas



http://foradoeixotour.wordpress.com

domingo, 14 de março de 2010

Transmissões de ensaios no Estúdio Massa Coletiva: Aeromoças e Tenistas Russas e Plano Próximo

É isso aí. A partir de agora os ensaios que rolarem no Estúdio Massa Coletiva serão transmitidos ao vivo, via Twitcam. É só ficar esperto no twitter do Massa Coletiva.

O primeiro ensaio transmitido foi o do Aeromoças e Tenistas Russas, que aconteceu dia 14/03/2010, a tarde. O ATR está se preparando para a turnê de 11 shows com o Porcas Borboletas que começa dia 18 em Uberlândia, no GOMA, e segue pelo pelo interior paulista. A tranmissão seguinte foi o ensaio da banda Plano Próximo, mostrando a nova formação com YoungMan na guitarra, efeitos e vocais e Yasmina, na bateria e voz, além de 2 novas músicas.

Terça-feira, dia 16/03, por volta das 20h, vai rolar a transmissão do último ensaio antes da tour do ATR. Fiquem ligados no Twitter do Massa Coletiva.

Ensaio do ATR (fiquei 2 minutos ajustando a câmera e divulgando, foi mal!)

Ensaio da PP

sexta-feira, 12 de março de 2010

Independência ou Marte#134 - Especial Dia da Mulher, Festival Rock Feminino e Paris Tetris

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Salves a todos. O programa#134, transmitido Ao Vivo na Rádio UFSCar na última segunda-feira (08/03) e pela primeira vez fez um especial sobre a data do Dia da Mulher. No estúdio, Yasmin Muller, Jovem Palerosi e Felipe Silva num clima de descontração, com os blocos focados no espírito e áurea feminina a boa música.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Compacto.Rec lança "Caos Carma Conceito", da banda Uganga (MG)

Banda histórica de Minas Gerais é o primeiro lançamento do Compacto do Fora do Eixo ao Extremo
Uganga (MG) - Lançamento deste mês do Compacto

O Compacto.Rec anuncia o lançamento deste mês - a banda mineira, formada por cinco músicos - Christian (guitarra), Thiago (guitarra e vocal) Ras (baixo e vocal), Marco (bateria) e pelo vocalista Manu “Joker”, ou seja, o Uganga.

O quinteto, já chamado de Ganga Zumba, tem 15 anos de história no rock pesado feito em Minas Gerais (mesmo local que revelou grupos como o Sepultura, por exemplo) apresenta um som resultante da mistura de hardcore e metal, além do visível Groove, recebido do Hip Hop, enquanto as letras tem reflexões acerca do respeito à mãe-natureza, livre arbítrio, dilemas cotidianos e auto-conhecimento. Tudo isso esteve em seus lançamentos anteriores (Atitude Lótus, em 2003, foi o seu primeiro), e agora se faz presente neste CD, "Vol. 3 - Caos Carma Conceito".



FORA DO EIXO AO EXTREMO

Fora do Eixo ao Extremo nada mais é do que um sub-circuito criado baseado nos parâmetros do Circuito Fora do Eixo, que visa estruturar e dar ênfase a bandas mais “pesadas”, como o Hardcore, Punk, e determinadas vertentes do Metal, e ainda, aglutinar novos agentes espalhados em 10 pontos do Brasil até o momento. O lançamento está programado para ocorrer simultaneamente no período de 12 a 14 de março pelo Brasil afora, sendo uma excelente oportunidade para a circulação de bandas pelos pontos do Fora do Eixo, e ainda criando uma nova rota para essas bandas dentro do novo sub-circuito. Cada frente do FDE ao Extremo trabalha em parceria com o seu coletivo, sendo eles: Pólvora Cultural com o Palafita (Macapá – AP), o Sindicatto junto ao Espaço Cubo (Cuiabá - MT), Goma (Uberlândia - MG), BIL (Canoas - RS), Escape com o Esquina (Brasília - DF), Araribóia Rock (Niterói - RJ), PVH Caos (Porto Velho - RO), SOPA (Goiânia – GO), Pequi (Anápolis – GO) e Vilhena Rock (Vilhena – RO).

COMPACTO.REC

O Compacto REC é um projeto que teve início em 2007, com o objetivo de lançar singles virtuais em rede, através dos veículos de comunicação integrados ao Circuito Fora do Eixo. A primeira banda lançada foi a Madame Saatan (PA). Na seqüência vieram artistas de todas as regiões do país como as elogiadas Bang Bang Babies (GO) e Filomedusa (AC). Os últimos lançamentos deste ano foram Porcas Borboletas (MG), Boddah Diciro (TO), Rinoceronte (RS), Linha Dura (MT), Johnny Suxxx (GO) e recentemente Nevilton (PR). Com a liberação dos fonogramas para downloads, o projeto alinha uma iniciativa de trocas para remunerar o autor do trabalho em um sistema de economia solidária, pautado na oferta de serviços e produtos integrados ao Circuito Fora do Eixo.

SOBRE O CD

Em Vol.3: Caos Carma Conceito o Uganga continua explorando sua identidade musical, porém com uma dose extra de peso e agressividade. Nas letras, reflexões filosóficas, autoconhecimento e dilemas humanos, como a faixa “O Primeiro Inquilino” que em mais de sete minutos descreve fatos de um assassinato (essa é a primeira parte da história que contará com mais outras duas). O CD traz vários convidados especiais como o guitarrista Fábio Jhasko (ex-Sarcófago) tocando violino, o rapper X (ex-Câmbio Negro), Panda Reis (Oligarquia), Raphael Sapão (Attero), Edson “Zacca” (Seu Juvenal), Guilherme (Krow), o guitarrista Johny Murata da banda de jazz Lumina tocando Sitar, o grupo de rap 3DFato e Leospa, ex-integrante da banda.


Acesse e baixe o CD do Uganga: www.compactorec.wordpress.com

quarta-feira, 10 de março de 2010

Diário Aeromoças e Tenistas Russas - Turnê Grito Rock 2010

Prestes a realizar nova tour por São Paulo e Minas Gerais com a banda Porcas Borboletas, o Aeromoças e Tenistas Russas publicou o diário de bordo da tour no Grito Rock. LEIA AQUI!!!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Bootlegs do segundo dia do Grito Rock São Carlos 2010 – 16/02/2010

Shows do segundo dia do Grito Rock São Carlos 2010

Bandas: Ubelina 69, Dom Capaz, Ibis, Inimitáveis, Vandaluz, Nevilton, Aeromoças e Tenistas Russas e Juca Culatra & Power Trio

Download

Segunda turnê do Fora do Eixo movimenta cenas locais

As bandas Porcas Borboletas e Aeromoças e Tenistas Russas farão 11 shows em 12 dias; turnê começa dia 18/03 em Uberlândia (MG) e segue para o interior do estado de São Paulo

Van, shows e duas semanas na estrada. Esta será a vibe para as bandas Porcas Borboletas (MG) e Aeromoças e Tenistas Russas (SP) que realizam turnê entre os dias 18 e 29 de março, desbravando mais de dez cidades do interior de Minas Gerais e São Paulo. A turnê tem início em Uberlândia, segue para Uberaba e se estende até o estado de São Paulo, onde passará por São Caetano, São Carlos, Bauru, Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba, Araraquara, Franca e Bragança Paulista.
A ação é promovida pela Agência Fora do Eixo - núcleo de trabalho da rede Circuito Fora do Eixo, cuja função é facilitar shows e turnês - em parceria com a rede de coletivos de São Paulo e Minas Gerais. O objetivo é delimitar rotas para o Sul do País e coletar informações sobre as cidades visitadas, como por exemplo público, produção e hospedagem. "No fim da viagem a ideia é que tenhamos rotas bem nítidas para a circulação de bandas entre o Centro-Oeste e o Sudeste e que a música independente ganhe visibilidade nos contextos locais", explica Marco Nelasso, membro da comunicação da Agência Fora do Eixo.
Esta será a segunda tour oficial organizada pela Agência Fora do Eixo. A primeira aconteceu em dezembro de 2009, quando as bandas Burro Morto, Porcas Borboletas e Macaco Bong cruzaram 11 cidades do Nordeste e de Minas, em apenas 13 dias. E assim como na primeira experiência de turnê integrada, registros diários com fotos, textos e vídeos poderão ser acompanhados no blog Fora do Eixo Tour.

+Bandas
Porcas Borboletas - é hoje o maior representante da cena indie mineira. Produziu o primeiro disco "Um carrinho com dentes" em 2004 e impressionou nos palcos com uma presença irreverente e performática. Em 2009, lançou o segundo disco "A Passeio" através do Compacto.Rec - projeto mensal de lançamento musical em rede - que obteve mais de 3 mil downloads, destaque na imprensa especializada, proporcionando à banda presença em diversos palcos do país como Goiânia Noise, Feira da Música Brasil, Jambolada, Calango e 3º Festival Contato (foto).
foto: Rafael Rolim

Aeromoças e Tenistas Russas -
começou a compor em 2007 e em menos de três anos vem se destacando no cenário independente, acumulando participações em festivais como o 3º Festival Contato, Festival Interunesp de Ilha Solteira, Grito Rock América do Sul 2010 (mais de cinco cidades), além de ser um dos destaques do Festival Macondo Circus 2009 (RS). O quarteto de São Carlos possui uma base instrumental rockeira, misturando uma teia de influências que vai do funk ao groove e acid jazz.

foto: Ricardo Rodrigues

+Agência Fora do Eixo
É uma frente de trabalho do Circuito Fora do Eixo que auxilia mais de dez bandas auto-gestoras no suporte e elaboração de turnês, além de assessoria de imprensa e comunicação, logística e técnica. As bandas foram selecionadas pelos próprios coletivos Fora do Eixo e são consideradas referência em seu modelo de gestão de carreira.

CIDADES POR ONDE A TOUR VAI PASSAR

18/03 - Uberlândia (MG) - Goma Cultura em Movimento
19/03 - Uberaba (MG) - Teatro Vera Cruz
20/03 - Franca (SP) - Mestiço Bar
21/03 - Araraquara (SP) - Teatro Wallace Leal Valentin Rodrigues
22/03 - São Carlos (SP) - Rádio UFSCAR
23/03 - São Carlos (SP) - Palquinho Maluco - UFSCAR
24/03 - Campinas (SP) - Bar do Zé
25/03 - Bauru (SP) - Local indefinido
26/03 - Ribeirão Preto (SP) - Bronze Night Club
27/03 - São Caetano (SP) - Espaço Cidadão do Mundo
28/03 - Sorocaba (SP) - Parque das Águas
29/03 - Bragança Paulista (SP) - Espaço Edith Cultura

sábado, 6 de março de 2010

Em Brasília ...

por Felipe Silva


Após a participação de Carlos Magalhães na Teia Paulista dos Pontos de Cultura o Massa Coletiva segue em Circulação pelos Bancos de Estímulo do Brasil, fortalecendo a economia do conhecimento.

À convite de Marcus Vinícius Franchi, participei de um Grupo de Trabalho sobre a Política Do Estado para Ciência, Tecnologia e Inovação com vista ao desenvolvimento sustentável. O Encontro funciona como uma espécie de pré -conferência de Ciência e Tecnologia e reuniu em um hotel de Brasília membros da sociedade civil e representantes de diferentes organizações do Terceiro Setor. Chancelado pelo MCT esse encontro constitui o Fórum Nacional de Tecnologia Social.

Após um voô de Ribeirão Preto, na chegada à Brasília eu e Marcus ainda nos juntamos ao companheiro Ahmad Jarrah da CUFA – Central Única das Favelas - antes de irmos até a UNB para o lançamento de uma linha de pesquisa da Incubadora de lá que inaugurava um campo de pesquisa sobre empreendimentos solidários de Arte e Cultura.

Tudo ia bem se não fosse a leitura das entrelinhas. Entre congratulações e tapinhas nos ombros, Marcus Franchi descobriu que o projeto de APL com o Movimento Hip Hop da Ceilândia do qual ele é gestor era o objeto da pesquisa, que por sua vez possuí uma grande linha de financiamento conectada diretamente ao ministério de Ciência e Tecnologia. O problema é que os acadêmicos se esqueceram de avisar a comunidade e os gestores do processo desse fato e agora o movimento inicia mais uma luta, a de ter bolsas dessas pesquisas destinadas aos manos e minas da comunidade da Ceilândia onde o processo é gerido. Acabou sendo uma oportunidade de lembrar que a acadêmia ainda está muito distante da gênese das tecnologias sociais; a ocasião ainda reforçou a minha lembrança do privilégio que temos de trabalhar com a UFSCar que constantemente busca ações e programas que a comprovem como uma universidade inovadora.

Antes de encerrarmos as atividades ainda tivemos a oportunidade de jantar com Alfredo Serkis, militante revolucionário de longa data que fez parte da luta armada de resistência a ditadura e que hoje é o coordenador nacional da campanha presencial de Marina Silva. Papos políticos em clima descontraído encerraram a primeira noite em Brasília.

Na manhã seguinte bem cedo Eu, Jarrah e Franchi nos dirigimos para o Hotel Phenicia, mais precisamente no Salão Mármore para a reunião do Fórum Nacional de Ciência e Tecnologia, em âmbito de pré-conferência para alinharmos a nossa estratégia para a conferência que será realizada em Maio.

O Fórum, é um ambiente político muito interessante; Cultura, Economia Solidária, Tecnologias Livres, Meio Ambiente entre outras áreas reunidas para programar as políticas públicas que borram as fronteiras da produção de conhecimento valorizando um fluxo de saberes que complementa o pulso das organizações conectadas em rede. O Fórum reunido produziu um documento apontando as reivindicações que serão feitas na Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia.

A avaliação do Fórum foi bastante positivo e em um ambiente de bastante consenso conseguimos emplacar a Cultura e a Economia Solidária como varadouros interministeriais na construção de políticas públicas para tecnologias sociais. O grupo saiu fortalecido para nossa participação na conferência e ainda pautamos a reivindicação de uma cadeira no conselho nacional do MCT.

A experiência em Brasília ainda teve um momento muito interessante quando fomos a um centro de atendimento a menores infratores em regime de semi-liberdade. O propósito da visita era criar uma parceria entre o centro e as atividades do APL do Hip Hop da Ceilândia. Durante o encontro um dos jovens que estava encerrando a sua pena entrou na sala para se despedir dos funcionários da unidade. Foi um momento de muita emoção.

Antes de partir ainda tivemos um rápido encontro com Everaldo do Coletivo Cultcha que é o Ponto Fora do Eixo em Taguatinga. O encontro possibilitou a conexão de Marcus Franchi com o coletivo que por já atuar nas cidades satélites são um parceiro em potencial das atividades desenvolvidas na Ceilândia.

Dias Intensos e missões cumpridas. De volta a São Carlos.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Gravação da música Kirilenko da banda Aeromoças e Tenistas Russas

por Gustavo Koshikumo

Todos os passos da gravação da nova música da banda Aeromoças e Tenistas Russas, gravada no Estúdio Massa Coletiva, AQUI.

Download Kirilenko : MP3 - WAV

quinta-feira, 4 de março de 2010

Upgrade no estúdio Massa Coletiva

por Gustavo Koshikumo

Upgrade no estúdio Massa Coletiva

Obs: as informações contidas nesse texto foram escritas por um amador em acústica. O texto não tem como objetivo ensinar, apenas descrever o que foi feito. Essas alterações foram feitas usando como base apenas material da internet e muita experimentação!

O lugar
A edícula tem 3 cômodos, sendo 2 quartos na ponta, e uma cozinha no meio. Decidimos por usar um quarto como sala de gravação e a cozinha como técnica. O quarto tem 3,5m x 4m e 2,7 de altura, medidas que não são ideais para uma sala de gravação. Além disso, nem de longe o lugar parecia um estúdio, ainda mais com a cozinha do lado. Era preciso pensar também na estética.

Fizemos alguns ensaios e alguns testes de som antes de tudo. Dava pra perceber que sobrava muita frequência alta e tinha bastante daquele "som de sala". Quanto às frequencias mais baixas, ficava óbvio também um certo desconforto.


O upgrade


No chão, foi colocado um tapete com "pêlos" bem grossos, objetivando amaciar parte das frequencias altas.



Nas paredes, em algumas partes, colchonetes ortopédicos e placas com madeirite e as famosas caixas de ovo, revestidas com um tecido, inclinadas, em 2 paredes. No teto, caixas de ovo revestidas com tecido, grudadas no teto com cola quente.



As mesmas placas com madeirite e caixas de ovo revestidas com tecido, em 2 cantos da sala. Entre as placas e os cantos das paredes ainda tem pedaços de colchões. Essas placas seriam os "bass traps".


Na janela e na porta de metal, 2 edredons velhos (roooots). Nas paredes, 2 suportes para instrumentos e caixas de som apoiadas com mãos francesas.


2 suportes para cabo handmade, atrás da porta.



3 suportes para pedestais de microfone


O resultado
Não fica claro dizer o que fez o que exatamente, em termos de acústica. Foi algo totalmente experimental e sem muitos parâmetros. Mas com certeza o som melhorou. Os agudos estão menos presentes, a sala não ficou "morta". Por causa disso, os graves estão mais claros, mas acho que não houve muita mudança nessas frequências baixas. Mais preocupante que isso era o "som de sala", que deu uma bela melhorada também - mas ainda existe. Como mencionado, o resultado estético também era importante. Esse objetivo foi alcançado, deixando a sala com um "ar" de estúdio mesmo. A cozinha, apesar do computador, dos monitores, da mesa de som, ainda parece uma cozinha, infelizmente. :(

Gastos da obra:
caixas de ovo: R$12
cola quente (pistola e bastão): R$ 20
tecido para as placas de parede: R$ 25
2 placas de madeirite 2,2m x 1,1m: R$ 35
ferragens (pregos, parafusos, etc): R$30
Total: R$ 122

Já havia bastantes materiais disponíveis: tecidos, ferragens, tapete, madeiras, etc.
Enfim, acho que valeu o trampo. O próximo passo agora é gravar a primeira música.
É nóis!