sábado, 27 de fevereiro de 2010

DIAS EM TRÂNSITO PARTE 2

por Carlos Magalhães

Dandara REI! Dandara REI! Dandara, dandara! Sabe o que significa Dandara? Eu também não sabia e resolvi perguntar. Descobri que dandara significa Cobra Bela, Cobra Bonita. Descobri também que as cobras são entendidas como vilãs na história da humanidade graças à tradição judaico-cristã. Que na verdade a cobra é uma criatura até considera divina em algumas religiões africanas.
Esse tipo de conhecimento é que estou conseguindo vivenciar aqui na Teia Paulista dos Pontos de Cultura. O começo do evento foi vibrante, chocante, hipnotizador. De repente tambores invadiram o salão do Centro Municipal de Educação Adamastor, um grupo de aproximadamente vinte mulheres batucavam, enquanto outras dançavam e cantavam, era o Bloco Afro Ilú Obá De Min. As dançarinas na verdade eram corpos humanos que estavam em transe, sendo ocupados por espíritos de deuses africanos. A emoção tomou conta de meu corpo, só conseguia tirar fotos e ficar vidrado nos olhos de Iemanja que sorria e balançava sua saia na minha frente.
Aquele momento foi mágico intenso, mesmo eu sendo um ignorante quanto à religiões africanas, consegui perceber que o divino era retratado naquele espetáculo de dança feminino. E as vozes das cantores, que misturavam dialetos diferentes para purificar e renovar as pessoas ao seu redor. Foi algo impressionante que me tocou muito.
Descobri também que meu apelido Dudu (que sou chamado desde que nasci) significa em uma língua africana preto, mas não preto a cor e sim a pessoa que é preta. Quem me contou isso foi o pássaro preto Lumunba um sábio que está acompanhando aqui a Teia e que consegue enxergar o mundo através do plano físico e do plano astral.
A sabedoria está presente em todos os lugares na Teia, as pessoas aqui dedicam suas vidas à criação, à cultura. Entre projetos de cultura popular, cultura digital, dança, teatro e o escambau estava eu ali, representando uma geração. Começando a entender o tamanho do trem que estamos nos envolvendo.
Vou destacar também a fala de Célio Turino na abertura, ele começou fazendo um breve histórico do ser humano e seu desenvolvimento há cinco mil anos atrás até os dias de hoje. Falou de guerrilha cultural, falou de meios de comunicação de massa que alienam as pessoas e de muitos outros pontos que sensibilizaram a platéia emocionando a todos.
O mais interessante é que muito do que ele disse, foi dito também no Grito Rock São Carlos 2010. Novamente a inteligência coletiva surge e alimenta as mentes e corações daqueles que estão dispostos e lutando por uma transformação social no Brasil.
A Teia também serve para aproximar o Massa Coletiva - ponto de cultura guri na cidade de São Carlos, com o Pontão de Cultura Nós Digitais, conduzido pela Teia Casa de Criação. O ponto de cultura mais antigo da cidade de São Carlos. Conversei muito com Daniel, um dos integrantes da Teia Casa de Criação e percebemos como temos afinidade e como nosso discurso e ação em São Carlos tem de trabalhar em consonância. O que faremos para empoderar a sociedade civil na cidade de São Carlos e emancipá-la da relação de mendicância com as instituições municipais que fomentam a cultura???
Que pergunta hein?! Polêmica eu diria, mas diria também que é uma expressão sincera, entusiasmada, de um coração que bate ao ritmo dos tambores africanos até agora.
Um beijo Brasil! Vamos juntos que chegamos lá!

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